Papa ao final do Sínodo: Igreja deve proclamar misericórdia e não aplicar condenações

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“Para a Igreja, encerrar o Sínodo significa voltar realmente a «caminhar juntos» para levar a toda a parte do mundo, a cada diocese, a cada comunidade e a cada situação a luz do Evangelho, o abraço da Igreja e o apoio da misericórdia Deus!”: palavras do Papa Francisco ao encerrar este sábado os trabalhos do Sínodo dos Bispos sobre a família.

Depois das palavras do Card. Raymundo Damasceno Assis, que presidiu à 18ª Congregação Geral, do Secretário do Sínodo dos Bispos, Card. Lorenzo Baldisseri, o Pontífice agradeceu a todos os participantes que “trabalharam de forma incansável e com total dedicação à Igreja”.

Ao encerrar o Sínodo, disse o Papa, “não significa que esgotamos todos os temas inerentes à família, mas que procuramos iluminá-los com a luz do Evangelho”; “não significa que encontramos soluções exaustivas para todas as dificuldades e dúvidas que desafiam e ameaçam a família, mas que colocamos tais dificuldades e dúvidas sob a luz da Fé, abordamo-las sem medo e sem esconder a cabeça na areia”. Mas significa “que demos provas da vitalidade da Igreja Católica, que não tem medo de abalar as consciências anestesiadas ou sujar as mãos discutindo, animada e francamente, sobre a família”.

O Pontífice ressaltou ainda as diferentes opiniões que se expressaram livremente – “e às vezes, infelizmente, com métodos não inteiramente benévolos” – que enriqueceram e animaram o diálogo, proporcionando a imagem viva duma Igreja que não usa ‘impressos prontos’, mas que, da fonte inexaurível da sua fé, tira água viva para saciar os corações ressequidos.

Para Francisco, a experiência do Sínodo fez compreender melhor “que os verdadeiros defensores da doutrina não são os que defendem a letra, mas o espírito; não as ideias, mas o homem; não as fórmulas, mas a gratuidade do amor de Deus e do seu perdão. Isto não significa de forma alguma diminuir a importância das fórmulas, das leis e dos mandamentos divinos, mas exaltar a grandeza do verdadeiro Deus”.

“O primeiro dever da Igreja não é aplicar condenações ou anátemas, mas proclamar a misericórdia de Deus, chamar à conversão e conduzir todos os homens à salvação do Senhor”, acrescentou o Pontífice.

Fonte: Rádio Vaticano – íntegra, em anexo.

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Publicado Relatório final do Sínodo

“Satisfação da assembleia no seu conjunto”: assim o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, resumiu o voto realizado na tarde deste sábado (24/10) do Documento final do Sínodo dos Bispos.

A pedido do Papa Francisco, o texto foi publicado à imprensa, com versão disponível até o momento em italiano.

O Relatório final tem 94 pontos, todos aprovados pela maioria necessária de 2/3 dos participantes. Os padres sinodais presentes na votação eram 265. Neste caso, era considerada maioria a aprovação a partir de 177 votos.

Como no ano passado, com o Sínodo extraordinário, o Relatório final foi publicado com a porcentagem de votos de cada parágrafo. Os pontos que dizem respeito à pastoral das famílias feridas, que incluem temas como as convivências ou os divorciados recasados, obtiveram menor consenso, mas sempre a maioria absoluta. Estes pontos se encontram no terceiro capítulo da terceira parte.

Diante deste resultado, afirmou o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, houve “satisfação geral da Assembleia no seu conjunto”.

(Até a noite deste sábado, 24/10, apenas a versão italiana está à disposição)

Fonte: Rádio Vaticano – versão italiana integral, em anexo.

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“Sínodo trará convite a discernir e compreender, sem julgar”

O texto final do Sínodo dos Bispos “foi aprovado por unanimidade pela Comissão dos Dez chamada a verificar que tudo se realizasse na máxima transparência para apresentá-lo à Assembleia”: foi o que adiantou Padre Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa, na coletiva concedida aos jornalistas no final da manhã de sábado (24/10). O texto foi lido inteiramente na Sala e será votado, ponto por ponto, na parte da tarde.

Comunhão aos divorciados e discernimento

Sobre a hipótese de readmitir à comunhão os divorciados recasados, “o Relatório final não contém um ‘sim’ ou um ‘não’, mas um convite ao discernimento” das situações concretas, antecipou, na coletiva, o Cardeal Christoph Schoenborn, arcebispo de Viena. O documento vai propor critérios para o acompanhamento pastoral, não só para a comunhão, mas para todas as questões”.

“A palavra-chave é discernimento. Convido todos a pensar na palavra de São João Paulo II na ‘Familiaris consortio’, onde se fala da obrigação de exercer o discernimento porque as situações são diferentes e o Papa Francisco, com bom jesuíta, a aprendeu quando era jovem: neste caso, discernimento significa tentar entender a situação de uma pessoa ou de um casal”.

Homossexualidade

A respeito da homossexualidade, o arcebispo de Viena adiantou que “não consta muito no texto e alguns ficarão desiludidos”.

“Constatamos duas coisas. O tema tocado neste documento é tratado sob o aspecto da família na qual existe a experiência de um irmão, uma irmã ou um tio homossexual. Como cristãos, como lidar com estas situações? Muitos disseram que por razões culturais ou políticas, o tema é delicado demais. No entanto, deixar este tema fora do documento não quer dizer que na Europa ou na América do Norte não seja um tema de Igreja, mas em nível de universalidade temos que respeitar a diversidade das situações políticas e culturais”.

Em síntese, para o Cardeal Schoenborn, a mensagem principal é o próprio tema do Sínodo: Um grande ‘sim’ à família. “O êxito do Sínodo é justamente este: a família não é um modelo superado, passado; é a realidade mais fundamental da sociedade. Não há uma ‘rede’ mais segura em tempos difíceis do que a família, inclusive as feridas e recompostas”.

Dom Raymundo preside sessão conclusiva

Também estava presente na coletiva de imprensa o Cardeal Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida, um dos Presidentes-delegados do Sínodo. Dom Raymundo salientou a necessidade de os governos oferecerem políticas públicas às famílias: “A família sozinha pode fazer pouco”, declarou.

Na expectativa da publicação do Relatório final, previsto para as 18h, ficou claro que em todas as situações, dos divorciados recasados aos jovens que têm receio de contrair o sacramento do matrimônio, as indicações são “atenção às famílias feridas; não julgar, discernir e compreender”.

Fonte: Rádio Vaticano

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Sínodo apela: paz para famílias de O. Médio, Ucrânia e África

No último dia do Sínodo dos Bispos, os participantes aprovaram e publicaram um apelo a ser divulgado publicamente sobre a situação das famílias do Oriente Médio, da Ucrânia e da África:

Mensagem unânime

“Reunidos ao redor do Santo Padre Francisco, Sucessor de Pedro, nós, Padres Sinodais, com os Delegados fraternos, Auditores e Auditoras participantes da XIV Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, dirigimos o nosso pensamento a todas as famílias do Oriente Médio. Há anos, por causa de sangrentos conflitos, elas são vítimas de violências inauditas. Suas condições de vida se agravaram ulteriormente nestes últimos meses e semanas”.

“O uso de armas de destruição de massa, assassínios indiscriminados, decapitações, sequestro de seres humanos, tráfico de mulheres, recrutamento de crianças, perseguições por motivos de crença ou etnia, a devastação de lugares de culto e a destruição do patrimônio cultural e inúmeras atrocidades obrigaram milhares de famílias a fugir de suas casas e buscar refúgio em outros lugares, quase sempre em condições de pobreza extrema”. É o que afirmam o Papa e os 270 padres sinodais.

Famílias que não podem voltar às suas casas

“Atualmente são impedidas de retornar e exercer seu direito de viver com dignidade e segurança em suas terras e de contribuir na reconstrução e no bem-estar material e espiritual de seus países. Neste dramático contexto, são continuamente violados os princípios fundamentais da dignidade humana e da convivência, pacífica e harmônica, entre pessoas e povos, os direitos mais elementares, como a vida e a liberdade religiosa, além do direito humanitário internacional”.

“Recordamos as palavras do Papa Francisco a “todas as pessoas e comunidades que se reconhecem em Abraão: Respeitemo-nos e amemo-nos uns aos outros como irmãos e irmãs! Aprendamos a compreender a dor do outro! Ninguém instrumentalize, para a violência, o nome de Deus! Trabalhemos juntos em prol da justiça e da paz!” (Discurso do Santo Padre no Edifício do Grã-Conselho na Esplanada das Mesquitas, Jerusalém, 26 de maio de 2014).

“Estamos convencidos de que a paz é possível e é possível deter as violências que na Síria, no Iraque, em Jerusalém e em toda a Terra Santa atingem a cada dia mais famílias e civis inocentes e agravam a crise humanitária. A reconciliação é fruto da fraternidade, da justiça, do respeito e do perdão” – prossegue o documento assinado unanimemente por todos os participantes.

Não a decisões impostas

“A paz no Oriente Médio não pode ser alcançada com decisões impostas à força, mas com decisões políticas que respeitem as particularidades culturais e religiosas de cada nação e das várias realidades que as compõem”.

“Nosso único desejo, como pessoas de boa vontade que fazem parte da grande família humana, é que se possa viver em paz. Que judeus, cristãos e muçulmanos encontrem em seu próximo um irmão a ser respeitado e amado, oferecendo, em suas terras antes de tudo, um belo testemunho da serenidade e da convivência entre os filhos de Abrão” – afirmam ainda os padres sinodais, citando a Exortação Apostólica de Bento XVI ‘Ecclesia in Medio Oriente’.

Preocupação com África e Ucrânia

“Nosso pensamento e nossa prece se estendem, com igual preocupação, solicitude e amor, a todas as famílias que se encontram em situações análogas em outras partes do mundo, especialmente na África e na Ucrânia. Elas, como as famílias do Oriente Médio, estiveram muito presentes durante os trabalhos desta Assembleia Sinodal, e para elas também desejamos uma vida digna e tranquila”.

O documento se encerra com uma exortação: “Confiramos à Santa Família de Jesus, Maria e José, que tanto sofreu, as nossas intenções para que o mundo se torne em breve uma única família de irmãos e irmãs!”.

Fonte: Rádio Vaticano

 

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