O crucifixo de Morales ficou na Bolívia? “Não, eu o levo comigo”

147Não faltaram curiosidades, como por exemplo, “o que o senhor sentiu quando viu o martelo e a foice com Cristo?”, perguntou um repórter. E ainda, “onde está?”. “Eu o levo comigo”, respondeu Francisco, pegando os repórteres de surpresa, atualizados pelos rumores do dia 10 de julho, que o presente incomum do chefe de Estado – a reprodução de um crucifixo feito pelo padre jesuíta Luis Espinal – teria ficado na Bolívia aos pés da Virgem de Copacabana, padroeira do país, juntamente com a condecoração: uma placa de prata com a mesma imagem reproduzida.

Somente o último foi deixado a Nossa Senhora, confirmou Bergoglio, enquanto o crucifixo foi para Roma na mala preta. “Jamais recebi uma condecoração”, explicou o Pontífice. “Não me vem, mas ele (Morales) o fez com boa vontade e com o desejo de me agradar. E eu pensei: isto vem do povo da Bolívia… rezei sobre isso e pensei: se as levo ao Vaticano irão para um museu e ninguém vai ver. Então pensei em deixar à Nossa Senhora de Copacabana, a Mãe da Bolívia, e vai para o Santuário: estarão no Santuário de Nossa Senhora de Copacabana as duas condecorações. Mas o Cristo eu o levo comigo”.

O Crucifixo de Espinal não é ofensivo. Mas para entender isso, devemos fazer uma hermenêutica

Ainda sobre o crucifixo, Francisco disse: “Foi curioso, eu não sabia disso e não sabia que o Pe. Espinal era escultor e poeta, soube nestes dias. Foi uma surpresa para mim”. Para o Papa, o trabalho “pode ser considerado como um tipo de arte de protesto que, em alguns casos, pode ser ofensivo, em outros não”. Para entender o crucifixo com a foice e o martelo devemos recordar o contexto específico em que vivia o Padre Luis Espinal, assassinado por esquadrões da morte em 1980. “Era um tempo em que a Teologia da Libertação tinha muitas linhas, uma dessas era com a análise marxista da realidade, e Padre Espinal pertencia a essa”… Daí surgiu esta obra. “Inclusive as poesias de Espinal são daquele gênero de protesto”, disse Bergoglio. “Mas era a sua vida, era o seu pensamento, era um homem especial, com tanta genialidade humana, e que lutava com boa fé”. Assim, “fazendo a hermenêutica do gênero, eu entendo esta obra. Para mim não foi uma ofensa. Mas precisei fazer a hermenêutica e digo para vocês para que não existam opiniões erradas. Este objeto agora eu levo comigo. Vem comigo”.

Fonte: www.zenit.org

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