APÓS A RESSURREIÇÃO DE JESUS A VINDA DO ESPÍRITO SANTO

Vem Espirito Santo 1.1

O acontecimento central da História da Salvação é a Ressurreição de Cristo. Se Ele não ressuscitou, também nós não ressuscitaremos.Eliminando da consciência dos homens a esperança de uma Ressurreição futura, não prestamos à Humanidade nenhum serviço. Pelo contrário: reduzimos a história humana toda a uma farsa gigantesca. Nela a morte terminará sempre por triunfar sobre a vida! Crer em Jesus é acreditar na vida e não na morte.

“Eu sou a Vida” (Jo 11,25).

“Minha vida é Cristo” (Gl 2,20).

Ninguém compreendeu a Cristo tão bem como o apóstolo Paulo: “Nenhum de nós vive para si mesmo” (Rm 14,7).

Um mundo em que cada qual vive mais para si do que para os outros, não é cristão!

Um dos grandes fracos do cristianismo atual é o cunho individualista do seu conceito de Salvação. No outro extremo encontra-se um conceito massificado de Salvação tão parcial e unilateral quanto o anterior. O espaço intermediário que poderíamos definir como pessoal-comunitário encontra-se à espera de quem o ocupe.

 Uma pessoa não é número nem indivíduo. É alguém, anjo ou homem, que não vive mais em função de si mesmo. Vive para alguém. Na vida de um cristão este Alguém é Jesus personificado e representado na pessoa do mais humilde e pequenino dos seus irmãos.

Ser irmão em Cristo é um título e uma responsabilidade que devemos a Jesus. Quem tem a Deus como Pai e a Jesus como Irmão, que mais pode querer da vida?Vem Espírito Santo

O resultado da Primeira Vinda de Jesus só pode ser considerado modesto:

– Os donos do grande poder não diferem em nada dos do tempo de Cristo.

– O cristianismo se encontra dividido em Igrejas que não se entendem entre si.

– A distribuição de renda continua tão desigual e injusta como sempre.

– A guerra continua sendo a arma preferida dos poderosos.

– A devastação da natureza nunca foi tão grande como hoje.

– O sofrimento, a miséria, a fome e a doença continuam fazendo vítimas em proporção crescente.

– A exploração do homem pelo homem, do fraco pelo forte, do pobre pelo rico, continua como se Cristo jamais tivesse existido.

Seria, sem dúvida, injusto atribuir todas estas mazelas sociais ao cristianismo. Não foi o cristianismo que introduziu a escravidão, a prostituição e a guerra. Tudo isto já existia antes. A culpa dos cristãos e do cristianismo não reside no que fizeram, mas no que deixaram de fazer. Pecaram por omissão.

Foram demasiadamente coniventes com os malefícios de estruturas sociais notoriamente injustas. Um exemplo: a escravidão perdurou no mundo “cristão” até o limiar do século XX. No Brasil, país católico cem por cento, ela só foi abolida em 1888 e sem a ajuda da Igreja oficial. E foi abolida não por razões humanitárias, mas porque já se tornara antieconômica.

Outro exemplo: a democracia jamais foi vista com bons olhos pelas Igrejas cristãs. Todas elas são regidas por pastores. De todos o menos democrático é o regime de governo da Igreja católica. Lá quem manda e decide em nome de todos e sem procuração é um punhado de clérigos. Nela só homens, e de preferência celibatários, podem desempenhar as funções de representantes de Cristo na terra.

Olhando de perto e sem falso respeito para a realidade, dá para perceber que nos encontramos às vésperas de um Novo Tempo.

60Um Novo Tempo pressupõe o fim do anterior. A palavra fim dos tempos ocorre com frequência nos Evangelhos. Será acompanhada de um julgamento, mas não será o fim do mundo ou o fim da história.

 Se os líderes das diversas Igrejas cristãs tivessem alguma forma de acesso às luzes da razão e da fé, tomariam consciência do triste espetáculo que oferecem à Humanidade.

Deus quer que todos sejam um. A atual divisão do cristianismo em igrejas e seitas é o exato oposto do que Jesus, em sua Oração Sacerdotal, pediu ao Pai: “Que todos sejam Um” (Jo 17,11).

Como posso chamar de amigo ou de irmão alguém que não só não mora comigo na mesma casa, mas faz questão de não frequentar a mesma igreja que eu frequento? A Igreja católica fica em muitas cidades do outro lado da rua, a mesma em que os protestantes vão aclamar a Deus como Pai comum de todos. A distância física que separa as duas igrejas é mínima. Poucos passos seriam suficientes para quem quisesse ir de uma das igrejas à outra. Mas é praticamente incomensurável a distância ecumênica que separa as almas dos que rezam ao Pai Celeste, separadas entre si por uma verdadeira muralha de preconceitos baseados em dogmas enferrujados.

O grande espetáculo de fé que o cristianismo ainda está devendo à humanidade pode ser definido de maneira muito lapidar e convincente com estes termos: “Vede como eles se amam”!

Pe. Marcos Bach x

Padre Marcos Bach

Blog: www.padrejosemarcosbach.blogspot.com.br

1 comment to APÓS A RESSURREIÇÃO DE JESUS A VINDA DO ESPÍRITO SANTO

  • “Se os líderes das diversas Igrejas cristãs tivessem alguma forma de acesso às luzes da razão e da fé, tomariam consciência do triste espetáculo que oferecem à Humanidade.
    Deus quer que todos sejam um. A atual divisão do cristianismo em igrejas e seitas é o exato oposto do que Jesus, em sua Oração Sacerdotal, pediu ao Pai: ‘Que todos sejam Um’ (Jo 17,11)”.
    Cada vez que me lembro que ainda não encontramos a UNIDADE entre os cristãos fico tomada de tristeza. Onde e quando posso, apregoo a força e a riqueza da UNIDADE NA DIVERSIDADE! Não podemos perder de vista este objetivo que o próprio Jesus tão ardentemente implorou ao Pai em sua ORAÇÃO!!! A falta de UNIDADE é um contratestemunho da Fé que professamos. Falta-lhe o essencial que é o AMOR E A SOLIDARIEDADE!

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