39 Papas Foram Casados!

Por P. John ShusterNate, John, Sally, and Kellen

Sou padre católico romano casado. Queria falar-vos duma crise que atingiu a nossa Igreja católica romana: há uma alarmante falta de padres celibatários (1).

Essa falta é tão grave que muitas paróquias estão a ser forçadas a encerrar (2). Simultaneamente, há para cima de vinte mil padres casados aqui nos EUA. Pondo isto noutra perspectiva: um em cada três padres casou. Isso quer dizer que há um grande número de padres disponíveis para assumir paróquias – em média mais de cem padres por cada Estado.

Os padres casados continuam a ser padres, mas já não são clérigos. Vejamos a diferença entre padre e clérigo. O padre está comprometido numa vocação de serviço, que é um chamamento espiritual de Deus. Clérigo é o que ocupa uma posição organizacional na Igreja institucional.

Quando um padre casa, é-lhe retirado o estado clerical. Mas mantém a plenitude do sacerdócio. Deve ser designado por “ex-clérigo”. Muitos, erradamente, usam o termo “ex-padre”. É que ele foi ordenado para ser padre, não para ser clérigo. A ordenação é permanente, nos termos do cânon 290 do Código do Direito Canónico (CDC).

Há vinte e nove leis eclesiásticas que habilitam os católicos a recorrer aos serviços dos padres casados. Por força do cânon 290 e atendendo à nossa preparação específica, à nossa ordenação e a 12 séculos de tradição católica romana, no casamento os padres mantêm o papel de dirigir o povo como Jesus fez.

Nós, padres casados, NÃO abandonámos a fé. Continuamos a ajudar os católicos em necessidade e esperamos a completa reintegração logo que seja rescindida a lei humana do celibato.

No limiar deste terceiro milénio, 30% de todos os padres estão agora casados. Sente-se que Deus nos está a chamar para a nossa tradição católica primitiva. E, uma vez que a sociedade finalmente reconheceu às mulheres a igualdade de direitos, é tempo de também a Igreja lhes garantir igualdade no múnus pastoral. Na realidade, muitos padres casados e esposas ministram como casal.

Padres Casados na Igreja Primitiva

São muitos os fundamentos históricos da existência do sacerdócio casado. Durante os primeiros 1200 anos da vida da Igreja, padres, bispos e 39 papas foram casados (3). O celibato existiu no primeiro século entre os eremitas e os monges, sendo considerado como um estilo de vida opcional, alternativo. Foi a política medieval que introduziu a disciplina do celibato obrigatório para os padres.

Recordemos as palavras de Jesus: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. S. Pedro, o papa mais próximo de Jesus, era casado. No evangelho há três referências à esposa de S. Pedro, à sua sogra e à sua família. Com base na lei e nos costumes judaicos, podemos admitir com toda a segurança que todos os apóstolos, talvez com excepção do jovem João, foram casados e tinham família (4)

Os padres casados e suas esposas foram os primeiros pastores, os primeiros bispos e os primeiros missionários. Eles levaram a mensagem de Jesus a todas as culturas protegendo-a com muitos trabalhos. Guiaram o primeiro crescimento da jovem e frágil Igreja e ajudaram-na a sobreviver a numerosas perseguições.

O Papa João Paulo II reconheceu isto quando em 1993 disse publicamente que o celibato não é essencial ao sacerdócio (5). Esta declaração formal constitui uma grande promessa no sentido de resolver o problema da falta de sacerdotes celibatários.

A Igreja primitiva era uma malha de pequenas comunidades baseadas em famílias ao longo da região mediterrânica. A vida era marcada por um sentido de alegre expectativa. Jesus disse que voltaria e os primeiros cristãos acreditavam que viria em breve. Orientados por padres casados encontravam-se nas casas uns dos outros para a celebração da eucaristia. Convidavam estranhos para a partilha do pão e do vinho. Ninguém era excluído da comunhão. Os estranhos rapidamente ficavam amigos, aderiam à nova Igreja e traziam outros para escutarem a boa nova de Jesus.

A sagrada escritura documenta que, na Igreja primitiva, padres e bispos eram casados. No Novo Testamento, na primeira carta a Timóteo, cap.3, vs.1-7, S. Paulo analisa as qualidades necessárias para ser bispo. Descreve um pai “sóbrio, ponderado”, chefe de família que governa bem a própria casa. S. Paulo fundou muitas pequenas comunidades deixando-as nas mãos de padres e bispos casados.

A chefia da Igreja era baseada no serviço e era responsável perante o povo. Todos os membros da Igreja tinham uma palavra na comunidade. Tal como lemos nos Actos dos Apóstolos, cap. 15, vs. 22, as decisões de grupo eram tomadas em concordância com toda a comunidade. A Igreja primitiva é descrita como democrática, em que a liderança escutava a comunidade e respondia às suas necessidades.

Influência Romana na Igreja

Como foi que se chegou à grande instituição que hoje temos? O que foi que aconteceu ao sacerdócio casado?

Tudo começou no ano 313 quando o imperador Constantino legalizou o cristianismo dentro do império romano. Com esta legalização a Igreja primitiva evoluiu dum grupo perseguido de pequenas comunidades para se tornar a fé oficial duma potência mundial sob o imperador Teodósio no ano 380.

As intenções de Constantino ao adoptar o cristianismo não eram inteiramente espirituais. Sentindo a sua liderança desafiada por grupos políticos, ele precisava de afirmar o seu poder. Forçando os outros políticos a tornarem-se cristãos era um teste à sua lealdade.

Constantino serviu-se da nova religião como um instrumento efectivo para extirpar os seus inimigos. Com isso reforçava o seu poder político. Constantino também se deparava com a necessidade de unificar muitos povos que os seus exércitos tinham subjugado. O cristianismo foi a chave para estabelecer uma nova identidade romana nos povos conquistados. Na aparência fê-los cristãos para salvarem as suas almas, mas, na realidade, esta nova religião foi o acto final da conquista sobre eles.

Agora que o cristianismo era a religião oficial do império romano, muitas coisas mudaram rapidamente na Igreja. Aos padres das pequenas comunidades foi dado um estatuto social especial entre os novos amigos romanos. Já não tinham necessidade de se esconder dos soldados romanos, nem de temer pela vida. Pelo contrário, eram pagos pelos serviços que prestavam como sacerdotes e gozavam de privilégios especiais na sociedade romana. Aos bispos foi concedida autoridade civil e atribuída jurisdição sobre os povos das suas áreas (7). Os romanos, que eram membros da elite local dominante, rapidamente se converteram ao cristianismo, seguindo as ordens do imperador. Eram pessoas treinadas na vida pública e peritos em política (8). Fizeram-se ordenar de padres e rapidamente ascenderam a posições de liderança na Igreja.

Agora ordenados, estes políticos romanos trouxeram para a Igreja as atitudes impessoais e legalistas de governo. A celebração da eucaristia passou de pequenas reuniões familiares para o que agora designamos por “missa” envolvendo grandes assembleias de pessoas em grandes edifícios. A missa transformou-se num ritual altamente estruturado à semelhança das cerimónias da corte imperial romana. Foi desta influência romana que derivaram os actuais paramentos, as vestes, os ritos de genuflectir e de ajoelhar, bem como a estrita formalidade da missa.

Emergiu uma estrutura eclesial institucional à imagem da do governo romano. Grandes edifícios, tribunais eclesiásticos, chefes e súbditos começaram a substituir as pequenas comunidades de base familiar assistidas por um sacerdócio casado local. Os novos padres romanos trataram de retirar a autoridade aos padres casados das pequenas comunidades a fim de consolidarem o poder político à sua volta. Com o auxílio do império romano, a liderança da Igreja transformou-se numa hierarquia que se foi afastando das suas origens familiares para adquirir a mentalidade romana duma classe dominante que estava acima do homem da rua (9).

Outras mudanças aconteceram que deslocaram a ênfase do povo para as preferências dos políticos romanos. A Igreja adoptou a prática romana de serem só os homens os detentores da autoridade institucional. Há sólidas provas históricas de que as mulheres exerceram funções sacerdotais antes deste tempo (10).

Mulheres Sacerdotizas na Igreja Primitiva

Em 494 terminava a participação das mulheres na liderança das pequenas comunidades: – o papa Gelásio decretou que as mulheres não podiam mais ser admitidas ao sacerdócio (11). Esta legislação é talvez a prova mais forte que temos de que as mulheres desempenharam as funções de líderes espirituais na Igreja primitiva. O papel das mulheres na Igreja diminuía à medida que papas e bispos marchavam em sintonia com as autoridades romanas.

Celibato Obrigatório: Ataque às Mulheres e à Intimidade

Com o tempo, o celibato assumiu o estatuto duma espiritualidade especial. A fim de o promover, certas facções denegriam a santidade do matrimónio e da vida familiar. A prática romana da abstenção de relações maritais para manter a energia antes duma batalha ou dum evento desportivo entrou na prática litúrgica. Aos padres era ordenado que se abstivessem da intimidade com as esposas na noite antes de celebrarem a missa. A mensagem daí decorrente foi a de que a sexualidade e o casamento já não eram santos.

O celibato tornou-se ainda outra oportunidade política nas mãos de padres e bispos ambiciosos. Usaram o estilo de vida celibatário como instrumento político para enfraquecer a influência dos padres casados. Partindo da hierarquia, começou a emergir uma atitude negativa para com as mulheres e a sexualidade, atitude essa que estava em forte contraste com a perspectiva de família saudável, central na Igreja primitiva (12). Assim se colocava o celibato no grau mais elevado da santidade e se promovia a eventual supressão do sacerdócio casado.

Por exemplo, em 336 o papa Dâmaso iniciou o assalto ao sacerdócio casado declarando que os padres podiam continuar a casar, mas não eram autorizados a expressar sexualmente o seu amor pelas esposas (13). Padres e povo rejeitaram esta lei. No ano de 385, o papa Siríaco abandonou a esposa e os filhos para conseguir ser papa. Decretou imediatamente que os padres não podiam mais ser casados, mas foi incapaz de impor a concordância a esta lei ultrajante (14).

Ao longo dos mil anos seguintes, desenvolveu-se, na teologia da Igreja, uma ética sexual não natural. Esta nova preocupação legalista com a sexualidade era contrária ao relacionamento humano normal e desfasada da ordem natural da vida tal como Deus a programou. Continuou a ser muito depreciativa para com as mulheres.

Em 401, S. Agostinho escrevia que “nada é tão poderoso a puxar para baixo o espírito do homem como as carícias duma mulher”(15). A atitude que daí nasce contra a sexualidade e as mulheres destinava-se a controlar os aspectos íntimos da vida das pessoas. Esta dinâmica continua até hoje. Por serem homens de família, os padres casados podiam descobrir a agenda política que estava por detrás da obsessão da hierarquia relativamente à sexualidade. Os padres casados estavam solidários com as pessoas e faziam o seu melhor para quebrar os continuados esforços da hierarquia romana para ganhar poder de controlo sobre eles e suas famílias.

Acaba a Sagrada Comunhão Para Divorciados Recasados

Quem mais sofria com estas tendências era o povo. No século XII a hierarquia da Igreja foi dominada por uma mentalidade legalista e negativa. Num esforço para estabelecer uniformidade e controlo, bispos e padres celibatários deram grande ênfase ao pecado e à culpa. Foi durante este período da história da Igreja que o casamento depois do divórcio foi declarado pecado. Os divorciados recasados não podiam comungar. Até então os casamentos eram julgados em tribunal, consensualmente dissolvidos e os cônjuges ficavam livres para voltar a casar e podiam comungar (16).

Entretanto outra dinâmica política entrava aqui em jogo. A hierarquia eclesiástica medieval estava em luta pelo poder com várias monarquias e famílias reais europeias. Tendo a capacidade de controlar os casamentos reais, Roma compreendeu que podia influenciar alianças políticas e manipular negócios de estado (17). Em resultado deste novo esforço para controlar as alianças reais, com a negação do acesso à comunhão e aos sacramentos, quem era punido imediatamente eram as pessoas comuns que se divorciassem e voltassem a casar. Era-lhes negada a plena participação na vida da Igreja porque não condescendiam com o querer das autoridades eclesiásticas. O estatuto legal substituiu a espiritualidade como marca de santidade e de boa reputação na Igreja institucional, o que ainda hoje é uma poderosa influência.

Infalibilidade – um Conceito Humano

Nesta crescente atmosfera de poder e legalismo, certos papas medievais abusaram da sua autoridade (18). No ano de 1075, o papa Gregório VII declarou que ninguém, excepto Deus, pode julgar o papa. Introduzindo o conceito de infalibilidade, foi ele o primeiro papa a decretar que Roma nunca pode errar. Mandou fazer estátuas à sua imagem colocando-as nas Igrejas de toda a Europa. Insistia que todos deviam obediência ao papa e que todos os papas são santos mercê da sua associação a S. Pedro (19).

A hierarquia via nos padres casados um obstáculo à sua ânsia de controlo total de Igreja, pelo que focalizou contra eles um ataque em duas frentes. Por um lado, usou o celibato obrigatório para atacar e dissolver as famílias sacerdotais influentes em toda a Europa e no mundo mediterrânico. Por outro, reclamava a propriedade das igrejas e das terras pertencentes aos padres casados. Como proprietária de terras, a hierarquia medieval sabia que conquistaria o ambicionado poder político em toda a Europa. Um benefício adicional da posse de terras era o dinheiro. Teria então a capacidade para cobrar impostos aos fiéis e levar dinheiro pelas indulgências e pelos ministérios sacramentais (20). Esta prática contribuiu muito para a reforma protestante e para a divisão da comunidade católica no século XVI.

O ataque ao sacerdócio casado aumentou de intensidade no século XI. Em 1074, o papa Gregório VII decretou que todo o candidato à ordenação deve primeiro fazer voto de celibato. Continuou o ataque contra as mulheres afirmando publicamente que “a Igreja não se pode libertar das garras do laicado a não ser que primeiro os padres se libertem das garras das esposas” (21). Num espaço de vinte anos as coisas deram uma volta para o pior.

No ano 1095, houve uma escalada de força brutal contra os padres casados e suas famílias. O papa Urbano II ordenou que aqueles padres casados que ignorassem as leis do celibato fossem presos para o bem das suas almas. Mandou que as esposas e os filhos desses padres casados fossem vendidos como escravos e que o dinheiro revertesse para os cofres da Igreja (22).

O esforço da hierarquia medieval para consolidar o poder eclesiástico e se apoderar dos bens de raiz das famílias dos padres casados foi coroado de êxito em 1139.  A legislação que efectivamente pôs fim ao celibato opcional dos padres veio do II concílio de Latrão sob o papa Inocêncio II (23). A verdadeira motivação para estas leis era o desejo de adquirir terras em toda a Europa a fim de fortalecer a base do poder papal. As leis que exigem o celibato obrigatório para os padres usavam uma linguagem de pureza e de santidade, mas a verdadeira intenção era a de solidificar o controlo sobre o baixo clero e eliminar qualquer desafio aos intentos políticos da hierarquia medieval.

“Os Padres irão cometer pecados muito piores do que a fornicação”

Um homem audaz, o bispo italiano de Imola, Ulrico, argumentou que a hierarquia não tinha o direito de proibir a casamento dos padres e aconselhou bispos e padres a não abandonarem a respectivas famílias. Disse que “se o celibato for imposto, os padres cometerão pecados muito piores do que a fornicação” (24). O número de casos recentes, largamente publicitados, de padres envolvidos em abusos sexuais vieram dar crédito ao bom bispo Ulrico. Aparecem cada vez mais provas científicas de conexão entre o celibato obrigatório e os abusos sexuais dos padres.

A respeitável tradição do sacerdócio casado foi virtualmente destruída pelas novas leis do celibato. Com a supressão do sacerdócio casado e com a desvalorização das mulheres na Igreja, ficaram abaladas as saudáveis origens familiares da nossa fé.

110.000 Padres casados em todo o mundo

Muitos dos problemas com que hoje nos debatemos na Igreja podem ser remetidos a este período da história da nossa Igreja. Mas, no dealbar do século XXI, parece que Deus nos chama outra vez para a ortodoxia das nossas origens como Igreja. Nos últimos 25 anos casaram mais de 100.000 padres católicos romanos em todo o mundo e muitos continuam discretamente a exercer o seu sacerdócio. Nos EUA um em cada três padres católicos romanos é hoje padre casado e continua a crescer o número de padres que se casam.

O casamento abriu a estes padres uma nova perspectiva. Eles exercem o seu sacerdócio com uma compreensão mais profunda das pessoas e dos desafios a que elas estão sujeitas.

Actuando em casal os padres casados prestam assistência religiosa nos hospitais quando não há padres celibatários, assistem os casais que, por qualquer razão, estão deslocados da sua paróquia local. Os padres casados entendem as necessidades especiais dos católicos que se divorciaram e desejam contrair um segundo matrimónio. O público tem dado indicações de que aprecia o seu estilo tranquilo e a sua abordagem prática dos problemas da vida. Particularmente as mulheres não raro ficam profundamente sensibilizadas com a honestidade e o respeito que os padres casados demonstram pelas esposas e com a compreensão e o apoio que eles dão às questões femininas.

70% dos americanos desejam padres casados

Para poderem passar do celibato ao casamento os padres não tiveram outra alternativa senão a de assinar papéis do Vaticano dos quais se inferia que eles realmente nunca tinham tido vocação para o sacerdócio, que são psicologicamente instáveis, ou moralmente fracos. Ora é exactamente o contrário que é verdade. Os padres casados agiram guiados pelo Espírito Santo e responderam com convicção e amor ao seu chamamento abrangente. Muitos católicos americanos reconheceram formalmente a sua coragem, especialmente aqueles que os contactaram através do programa Rent-A-Priest. A nível nacional 70% dos católicos quer que os padres que casaram retomem o trabalho como padres casados na Igreja católica romana. Têm ficado impressionados com a integridade dos padres casados e com a compreensão compassiva que evidenciam para com as pessoas apanhadas em situações difíceis.

“O celibato não é essencial para o sacerdócio”. João Paulo II

Além da afirmação do papa João Paulo II de que o celibato não é essencial para o sacerdócio, tem havido no Vaticano outros desenvolvimentos promissores a respeito dos padres católicos casados. A maior parte dos católicos não se dá conta de que Roma tem vindo a ordenar ministros protestantes casados atribuindo-lhes paróquias aqui nos EUA. Nalguns casos, estes ministros protestantes, agora sacerdotes católicos, substituíram padres forçados a deixar as paróquias por terem casado. Roma permite-lhes que permaneçam casados e providencia apoio às suas famílias. Há estudos que mostram que os custos do apoio a uma família dum padre casado são, por vezes, menores do que a um celibatário com governanta e outros auxiliares.

O Vaticano ordena ministros protestantes casados

A maioria destes novos padres católicos casados é de episcopalianos que deixaram a sua tradição pelo facto de a Igreja da Inglaterra ser a favor da ordenação de mulheres. Ao ordenar ao sacerdócio mais de 100 ministros protestantes casados, o Vaticano restabeleceu de facto o sacerdócio casado na Igreja católica romana. Agiu com base na afirmação do papa de que o celibato não é essencial ao sacerdócio. Com a ordenação de ministros protestantes casados o Vaticano mudou as regras. Ao fazê-lo, criou um precedente que é o de que os católicos podem agora ter padres casados a celebrar a missa e os sacramentos e que há leis eclesiásticas que permitem isso. Pelo seu próprio exemplo, Roma anunciou claramente ao mundo uma nova aceitação pública na Igreja de padres católicos casados.

Na verdade, o celibato obrigatório é uma lei humana, justamente como a antiga regra que proibia mulheres ao altar. Estas práticas disciplinares não são necessárias para a nossa fé como católicos romanos. Tais regras podem ser, e têm sido, alteradas. Deparamo-nos hoje com o encerramento de paróquias por causa da lei do celibato. Com um simples golpe de pena o Vaticano poderia levantar a disciplina do celibato obrigatório para todos os padres. Fazendo-o, poderia mobilizar mais de 110.000 padres em todo o mundo e reabrir todas as paróquias que foi forçado a encerrar.

O papa João Paulo II está a trabalhar noutra iniciativa que envolve padres casados. Existem cerca de 20 ritos diferentes na Igreja universal. Talvez já tenha ouvido falar da Igreja católica bizantina, do rito caldeu, do rito copta. Nem todos estes ritos estão em comunhão com Roma, mas o papa João Paulo II faz tentativas para unificar todos os ritos numa família eclesial. Na sua maior parte, os ritos orientais têm vindo a manter ao longo dos séculos a tradição do sacerdócio casado e desejam continuar com essa tradição em qualquer nova aliança.

A declaração de João Paulo II de que o celibato não é essencial para o sacerdócio tem a dupla vantagem de resolver a carência de clero na nossa tradição romana e de estabelecer os fundamentos duma compreensiva e agradável unidade eclesial em todo o mundo. O futuro da Igreja contém muitos desenvolvimentos promissores em cuja implementação os padres casados desempenharão um papel chave.

Leis canónicas; o público tem de fazer a petição

Cada uma das leis da Igreja tem a denominação de cânon. O corpo das leis eclesiásticas – Código do Direito Canónico (CDC) – formou-se logo após a imposição do celibato obrigatório. Parece que o santo monge Graciano, que foi quem formulou a lei canónica, estava consciente da perseguição injusta de que estavam a ser alvo os padres casados e suas famílias. Talvez por isso ele tenha introduzido no código cânones que os poderiam proteger e permitir que o sacerdócio casado se venha a restaurar um dia. Há 21 cânones que permitem aos fiéis recorrer aos padres casados. Gostaria de tocar em dois destes cânones para explicar como qualquer pessoa pode estar à vontade para recorrer à ajuda de padres casados.

O cânon 290 é muito especial (26). Fala da permanência da ordenação sacerdotal. Cito: “A sagrada ordenação, uma vez recebida validamente, nunca se anula”.

Este cânon confirma que os padres católicos casados continuam a ser padres válidos em boa posição. Os sacramentos que administrem são sacramentos válidos. Muita gente pensa que um padre quando casa fica excomungado e deixa de ser padre. Mas o cânon 290 diz-nos que isso não é verdade. É no espírito deste cânon que nós nos designamos por “padres católicos romanos casados”.

Deverá ter ouvido dizer que os sacramentos administrados por padres casados são válidos, mas não lícitos. Isso é tecnicamente correcto, mas eu gostaria de aduzir um exemplo para explicar a distinção entre os termos “válido” e “lícito”. Vou servir-me duma analogia médica. Imagine que um médico do Novo México toma o avião para Chicago para uma conferência. Aterra no aeroporto internacional de O’Hare, aluga um taxi e, no caminho para o hotel, depara com um acidente de viação. Há uma pessoa que foi projectada da viatura em que seguia e tem uma ferida que sangra abundantemente. O médico acorre em auxílio do ferido, estanca a hemorragia e estabiliza o paciente até chegar a ambulância. A ajuda do médico nesta emergência é “válida” porque ele é médico adequadamente preparado, tem um grau académico conferido por uma faculdade de medicina. No entanto, a ajuda do médico à vítima não é “lícita” porque ele não tem autorização para exercer medicina no Estado de Illinois. Esta é a diferença entre um acto válido e um acto lícito. Pode estar certo de que a vítima do acidente ficou muito contente com a ajuda “válida” do médico que a socorreu quando ela precisava urgentemente.

Ora é com esta mesma compreensão da validade dos actos segundo a lei canónica que os católicos, quando não podem encontrar um padre acessível ou disponível, recorrem a padres católicos casados. Os padres casados são pessoas que receberam de Deus a vocação para o sacerdócio. Completaram com êxito os anos de formação no Seminário e foram validamente ordenados por bispos católicos romanos. Têm graus académicos em teologia e noutras matérias afins.

Por força do cânon 290 pode-se ter a certeza de que os sacramentos ministrados pelos padres casados são tão válidos como os ministrados pelos padres celibatários em qualquer paróquia católica. As pessoas que procuram os serviços dos padres casados acreditam que o seu sacerdócio é válido aos olhos de Deus.

O Cânon de Ouro

O cânon 1752 é conhecido como “a regra de ouro” do direito canónico. Estabelece que “a salvação das almas é sempre a lei suprema da Igreja”. Parece que este cânon torna muito claro que tudo no direito canónico e nos esforços da Igreja existe para servir as necessidades espirituais do Povo de Deus. Todas as determinações que forem contra este objectivo primordial são efectivamente contraproducentes e, por conseguinte, de validade questionável. Se a lei humana do celibato dos padres impede alguém de receber os sacramentos, então essa lei está contra a missão primária da Igreja. Este entendimento do cânon de ouro do direito canónico coloca o sacerdócio casado numa luz inteiramente nova. Também permite que cada fiel partilhe da nossa comum autoridade e responsabilidade pelo futuro da Igreja.

Do ponto de vista do direito canónico nós estamos hoje num estado de emergência, porque a falta de padres celibatários está a provocar o encerramento de paróquias e a ameaçar a disponibilização da missa e dos sacramentos, que são as actividades essenciais da Igreja. É muito improvável que, no futuro, haja uma reversão desta falta de padres celibatários. De facto, todos os estudos que têm sido feitos, incluindo os que foram patrocinados pela nossa Conferência Episcopal dos EUA, indicam que a crise só piorará nos anos que aí vêm. Os padres celibatários serão cada vez menos e mais velhos para dar assistência aos católicos em número cada vez maior.

Entrar pelo encerramento de paróquias não é resposta aceitável para esta crise. O programa Rent-A-Priest é uma iniciativa inovadora à disposição dos católicos que foram apanhados nesta crise crescente. Muitas comunidades paroquiais sentem que a reintegração de 20.000 padres casados aqui nos EUA é uma solução boa e efectiva porque tem um precedente histórico e teológico sólido claramente fornecido pelo código do direito canónico.

Tranquilamente Os Bispos Aplaudem

Os nossos bispos americanos lidam todos os dias com a falta de padres. Um em cada quatro bispos disse off the record que está pronto a receber de braços abertos os padres casados. Os bispos da América são bons líderes que querem o melhor para o seu povo. Sabem que, em média, há 400 padres casados por cada Estado. Trabalhando em conjunto, padres casados e padres celibatários podem parar o encerramento de paróquias. Juntos, poderiam melhorar espectacularmente a disponibilização da missa e dos sacramentos. Muitos bispos americanos querem deixar de desperdiçar o saber e a experiência que os padres casados têm para oferecer à Igreja. Todos os bispos foram informados do programa Rent-A-Priest. Alguns encorajaram-nos a que continuemos a promover o sacerdócio casado, já que é uma tradição eclesial que a prática se transforma em costume e o costume se transforma em lei. Isto já está a ser feito com a admissão ao sacerdócio dos ministros protestantes casados e pela declaração do papa João Paulo II de que o celibato não é necessário para o sacerdócio. O próximo passo será que as pessoas comecem a pedir padres casados para o serviço pastoral.

Nem toda a gente poderá estar informada de que muitas mudanças verificadas na Igreja católica aconteceram através do povo – de baixo para cima e não de cima para baixo. As jovens acólitas são um exemplo recente. Muitas paróquias tinham cursos de preparação de acólitos que eram frequentados por rapazes e raparigas. Em 1987 o Vaticano emitiu uma nota a proibir as raparigas ao altar. Mas como em todo o mundo esta ordem não foi acatada e se continuou a ter raparigas como acólitas, o Vaticano abrandou e cedeu. A prática transformou-se em costume e o costume em lei. À medida que mais e mais católicos recorrem a padres casados para a administração dos sacramentos, esta prática levará à reintegração plena dos padres católicos casados, ao fim do encerramento de paróquias e a um melhor atendimento sacramental de todos os católicos.

Resumindo

A nossa mensagem é simples e directa. Como católico romano qualquer pessoa tem o direito a recorrer a padres católicos casados para a missa e os sacramentos. O programa Rent-A-Priest é um ministério pastoral dos padres católicos romanos casados. Nós oferecemos o nosso sacerdócio para ir ao encontro das necessidades espirituais dos católicos de hoje. Partilhamos os mesmos objectivos dos nossos bispos, que são os de garantir que todos os católicos tenham pleno acesso à missa e aos sacramentos e trabalhar para que todos os católicos experimentem a plenitude da nossa tradição católica. São estas as actividades primárias e essenciais da Igreja. Quando Roma reintegrar formalmente os padres católicos casados na plena participação eclesial, trabalharemos em coordenação com os nossos bispos e os nossos irmãos sacerdotes celibatários que precisarem da nossa ajuda. Até que esse dia chegue, servir-nos-emos das provisões pastorais para os padres casados garantidas pelo cânon 21 do CDC para servir os católicos que pedirem a nossa ajuda. Através do programa Rent-A-Priest, os padres católicos casados levam a missa e os sacramentos às casas dos católicos em todo o país.

Referências

1. Commonweal. October 11, 1991.

2. The Journal for the Scientific Study of Religions. December 1990.

3. Kelly, J. N. D. Oxford Dictionary of Popes. New York, Oxford Press. 1986.

4. Padovano, A. Joseph’s Son. National Catholic Reporter. April 12, 1996.

5. Time Magazine. July 1993.

6. Grant, M. Constantine the Great: The Man and His Times. New York, Charles Scribner and Sons. 1993.

7. Straus, B. R. The Catholic Church. David and Charles, England. P. 37.

8. Torjesen, K. J. When Women Were Priests. Harper San Francisco. 1993. P. 155.

9. Straus, B. R. The Catholic Church. David and Charles, England. P. 34.

10. Torjesen, K. J. When Women Were Priests. Harper San Francisco. 1993. P. 34.

11. Padovano, A. Power, Sex, and Church Structures. A lecture presented at Call To Action, Chicago. 1994.

12. Ranke-Heinemann. Eunuchs For The Kingdom Of Heaven. Doubleday. New York. 1990. P. 100 ff.

13. Barstow, A. L. Married Priests and the Reforming Papacy: The Eleventh-Century Debates. The Edward Mellen Press. Lewiston, NY. 1982. P. 21.

14. Padovano, A. Power, Sex, and Church Structures. A lecture presented at Call To Action, Chicago. 1994.

15. Padovano, A. Ibid.

16. Mackin, Theodore. Divorce and Remarriage. Paulist Press. 1984. P. 116.

17. Mortimer, R. Angevin England 1154 – 1258. Blackwell. Oxford, U. K. P. 28.

18. Padovano, A. Power, Sex, and Church Structures. A lecture presented at Call To Action, Chicago. 1994.

19. Padovano, A. Ibid.

20. Mortimer, R. Angevin England 1154 – 1258. Blackwell. Oxford, U. K. P. 105-112.

21. Padovano, A. Power, Sex, and Church Structures. A lecture presented at Call To Action, Chicago. 1994.

22. Ranke-Heinemann. Eunuchs For The Kingdom Of Heaven. Doubleday. New York. 1990. P. 110.

23. Celibacy, Canon Law of. The New Catholic Encyclopedia. New York. McGraw Hill. 1967.

24. Barstow, A. L. Married Priests and the Reforming Papacy: The Eleventh-Century Debates. The Edward Mellen Press. Lewiston, NY. 1982. P. 112.

25. Gallup Survey of Catholic Opinion, May 15 – 17. 1992.

26. Coriden, et. Al. The Code of Canon Law. Paulist Press. 1985.

27. Smolinski, D. Canonical Reflections on Pastoral Emergency and the Use of Married Priests in the Catholic Church. Catholic Resource Center. Framingham, MA. 1995.

(Artigo tirado da Internet do site Rent-A-Priest.

Traduzido por João Simão. Setembro, 2002

 

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35 comments to 39 Papas Foram Casados!

  • João Tavares

    Artigo excelente e muito completo

  • Pe. Renato Campos Ferreira

    Eu sou casado tenho convicção que eu tenho vocação, sinto todos os dias vontade de celebrar porque eu entendo que a missa é uma grande ação de graças a Deus por todas as coisas boas que ele nos proporcionam na nossa vida. ainda não estou celebrando mas vou começar a celebrar. è o Espírito Santo que está inpulsionando a Igreja pena que a Hierarquia ainda está alienada e não percebe os sinais dos tempos.

  • Pe. Renato Campos Ferreira

    Eu sou casado tenho convicção que é o Espírito Santo que está soprando no coração e na mente dos sacerdotes do mundo inteiro espero que a Igreja Católica Apostólica Romana atenda as necessidade do povo de Deus em todo o mundo

  • José Martins

    Parabéns pelo precioso Artigo!…
    Artigos como este, deve delinear a trajetória da associação rumos, como também a vocação de todos os padres casados… Acredito que seja totalmente possivel e válido um padre casado exercer os ministérios, mesmo que não seja de forma plena. A plenitude do sacerdócio é gratuidade que o padre recebe no dia de sua ordenação. Portanto, não deveria tanto o padre casado como também o celibatário viver com maior plenitude o espírito que o incorporou ao sacerdócio de Cristo? “não se pode viver e aceitar o assessorio em detrimento do essencial…”
    O resumo deste artigo deve ser uma ponta de lança a motivar e a dar coragem tanto a Associação Rumos como também a todos os padres casados a fazer o mesmo!…

  • Célia

    Não há referência bíblica sobre isso… mais na verdade se a mulher estava ou não viva, isso não importa.. porque de qualquer maneira Pedro, que era casado, abriu mão de tudo.. de sua profissão, sua vida, sua família (inclua-se a mulher) para seguir Jesus. O divino mestre ensinou:

    “Todo aquele que tiver deixado, por amor de mim, casa, irmãos, pais, ou mãe, OU MULHER, ou filhos… receberá a vida eterna” (Mt 19, 29).

    E pedro, o que mais amva Cristo dentro os doze disse:

    “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos” (Lc 18, 28).

    Vc percebe? Pedro deixou tudo, inclindo sua família para um chamado muito maior que o matrimônio!!!

    E o próprio Jesus, aprova a decisão de Pedro e respondendo e confortando com essas palavras que:

    “Na verdade vos digo, que não há quem deixe, pelo reino de Deus, casa, pais, irmãos ou mulher que não receberá… a vida eterna” (Lc 18, 29-30)

    Pedro se fez celibatário… isso é fato!!!

    Somente os ignorantes protestantesnão sabem disso.. ou melhor, não aceitam que o celibato é um ato de total entrega a Deus

  • Célia

    SIGNIFICADO DO CELIBATO – CARTA DE JOÃO PAULO II

    Trecho da “Carta do Sumo Pontífice http://carloselianashalom.spaces.live.com/Blog/cns!366EBB4E157F42BC!2824.entryJoão Paulo II a todos os Sacerdotes da Igreja por ocasião da Quinta-feira Santa de 1979”

    João Paulo II

    http://carloselianashalom.spaces.live.com/Blog/cns!366EBB4E157F42BC!2824.entry

  • Sebastião Carlos do Nscimento

    Sou Ministro da palavra em uma pequena Igreja -Santa Rita de Cássia na Cidade de Muriaé-MG.
    Adorei a matéria, pois são informações que fazem agente crescer diante dos fatos que acontecem na vida da Igreja em toda sua trajetória.
    Sou a favor dos Padres casarem, pois teríamos muito mais harmonia nas comunidades, tornando-as mais familiar, a partilha seria mais humana devido à experiencia de vida conjugal, eu sempre sonhei com essa mudança, o Papa João Paulo II deu o pnta pé inicial, mas parece que Bento XVI não está querendo mudar a regra do jogo, pelo menos por enquanto, é uma pena!
    Parabens por esse artigo maravilhoso, foi Deus quem o inspirou, e pode ter certeza se a Igreja Católica não mudar ela vai perder o seu rebanho.
    Sebastião Carlos do Nascimento.

  • Almir Simoes

    Infelizmente a igreja institucional hierarquica ficou encantada com poder e jogou no lixo a autenticidade das comunidades cristãs primitivas. Os sacerdotes deixaram de ser presbiteros tirados de dentro da comunidade e foram substituidos por jovens fabricados dentro de um seminário que deixaram de mamar o leite maternal para mamar o leite clerical. O concilio Vat II idealizado por João XXIII grande conhecedor da história era uma grande esperança de renovação e volta às origens… Já estamos chegando aos 50 anos de frustação.Os seus documentos continuam aí bem vivos para serem redescobertos. E parece que a última reunião da CNBB em Aparecida acendeu uma luz no fim do túnel… Acredito no Espírito Santo.

  • giba

    Fernando, você está de acordo com a história de nossa Igreja, que dava liberdade de casamento aos padres até o século XI, desde os apóstolos de Jesus Cristo, que 11 eram casados.
    Esperamos que o Espírito Santo ilumine nossa Hierarquia o quanto antes!

  • Joel

    Com muito respeito a Santa Igreja, eu como Católico Apostólico Romano, sou a favor dos padres casarem, porque o celibato obriga o padre a não casar, enquanto isso o numero de padres estão diminuindo, e o numero dos casados estão cada vez maior, se os apostulos de Jesus foram casados, porque os padres não? Os padres casando vai ser bem melhor a Igreja terá mais padres, e nós voltaremos a ser maior numero de religiosos do mundo.
    .

  • giba

    Caro Joel, grato por seu apoio. É o que a grande maioria dos católicos romanos, unidos à secular tradição dos irmãos católicos ortodoxos, cujos padres se casam desde sempre. Gilberto

  • Mario Nunes

    Assim, “um por todos e todos por um “,ou seja, padres celibatários e padres casados unidos num só coração pelo Reino De Deus, serviremos com mais amor e alegria ao nosso povo de Deus , para nossa santificação e glória de Deus Pai. Segundo São Lucas, nos Atos dos Apóstolos, “os cristãos tinham tudo em comum , ninguém passava necessidade,pois dividiam todos os seus béns com alegria e todos os pagãos se admiravam desta atitude dos cristãos, porque eram um só coração e uma só alma”. Esta é a Igreja que esparamos que aconteça hoje e sempre.

  • giba

    Prezado Mário, você acertou em cheio o núcleo do cristianismo. Que o Espírito Santo sopre o mais cedo possível estas evangélicas atitudes às nossas autoridades hierárquicas! Giba

  • marilene

    excelente e esclarecedor artigo. bem explicado e fundamentado. acredito que DEUS não seria contra padres casados desde que fossem pessoas de bem e honradas. pois devem ser exemplos para os demais católicos. isso faria com que a igreja católica ganhasse força e crescesse ainda mais.

  • giba

    você tem toda a razão, Marilene. Esperamos que volte o sistema antigo, vigente até o século XI, em que todos os padres católicos podiam casar.

  • giba

    você acertou em cheio, Marilene, a dolorosa sistemática do celibato obrigatório hoje existente, desde o s[eculo XI.
    Antes disso todos os padres podiam casar.
    Giba

  • luz

    Peço a Deus todos os dias que o Papa Bento XVI ou o seu sucessor reveja toda essa situação. Amo a Deus e a Igreja Católica com todo o meu ser. Amo Evangelizar. Mas amo também o homem que tanto me ensinou e mudou a minha vida com seus ensinamentos e seu amor por mim. Ele me ama e me queria como esposa, mas fica dividido e angustiado. Temos que nos esconder para viver esse amor. Penso que juntos poderíamos fazer muito mais pela igreja católica e divulgar muito mais o Amor e a Palavra de Jesus.

  • Joao Tavares

    Luz,

    Gostei de seu comentário.
    Talvez, ao contrário do que você imagina, esse problema é bastante comum em muitas mulheres apaixonadas por padres e, vice-versa, em padres apaixonados por mulheres.

    Já passamos por isso, minha esposa e eu. E já passaram por isso milhares de casais de padres e mulheres que casaram nos últimos 50 anos. E outros que não chegaram a casar…

    Lhe garanto, esse passo nunca é fácil. E quanto melhor, mais engajado e mais ético (sério) é o padre, maior o sofrimento e a dificuldade na decisão.

    Muitos sentem o problema, mais ou menos intensamente.
    – Às vezes se trata de uma crise passageira que alguns conseguem superar. Mas diria que é uma minoria.
    – Alguns optam por viver uma vida dupla, tentando conciliar o ainda inconciliável: sacerdócio e exercício da sexualidade. E se machucam por dentro e/ou escandalizam os fiéis, usam a mulher (ou mulheres), escondem eventuais filhos… É um grave problema em várias partes do mundo.
    Na Europa já existem até Associações de mulheres escondidas de padres e de Associações de Amparo aos filhos de padres, não assumidos.
    – Outros não têm a coragem de enfrentar as dificuldades inerentes à saída do ministério (perder mordomias, perder status, ter de trabalhar duro para se manter, falta de diploma de nível superior, etc.) e ficam no ministério, muitas vezes angustiados, neuróticos, secos, amargos, hiperativos ou muito desmotivados, quando não descalabram para o alcoolismo, apego exagerado ao dinheiro ou ao poder, etc. Conheço vários deles que, por medo, ficaram no ministério e hoje vivem recalcados, incompletos, restos de homens.
    – Outros finalmente, pensam, pensam, se aconselham, rezam, falam com seu bispo ou superior, se dão um tempo … e resolvem casar.
    No Brasil temos uns 8.000 nessa situação de terem resolvido casar. No mundo, cerca de 150.000.

    Quanto às dúvidas, à angústia e à divisão interior de seu padre amado, entendo e respeito. E só ele pode resolver. Ou vocês juntos. Mas a resposta tem de brotar com autenticidade e verdade de dentro dele, que suponho um homem sério.

    Dê-lhe tempo. Mas não infinito. Acho que vocês não vão poder esconder para sempre, ou por muito tempo, esse amor que vos empolga o coração…
    A não ser que optem por viver nessa área de grande risco por tempo indeterminado. Aí vocês poderiam sair machucados…

    Abraço para vocês e votos de uma boa solução para o vosso problema… tão humano… tão simples…, mas que a estrutura eclesiástica torna tão complicado e quase impossível, levando tantos padres a uma imensa angústia… e tantas mulheres a terem de se esconder e a viver seu amor na clandestinidade.

  • Quanta verdade em tão poucas palavras. Vejo verdade, ciência, sabedoria, em tudo o que vem deste movimento; inclusive dos que nele se manifestam. Muita Luz, Paz, amor a todos! Peço que orem sempre por mim, para que eu continue no caminho do Bem! Deus nos abençoe a todos!

  • PAULO CÉSAR MELIM

    Sou ex padre católico romano e gostaria de iniciar contato com a associação e antes de mais nada sugerir, porque os ex padre católicos romanos não pensam e criar uma fraternidade e a partir dai criar uma nova igreja católica no Brasil, voltada para os pobres, para o povo e fundamentada na defesa da vida. Por que não, poderiamos exercer nosso sacerdócio com a plenitude da palavra de Deus e em comunhão com o povo de Deus no seguimento do evangelho para a efetiva construção do Reino de Deus, reino da vida.

  • manoel

    JESUS CRISTO NÃ DEU NOME A NENHUMA IGREJA POR DENOMINAÇÃO,NEM PROIBIU O CASAMENTO. PIOR ESTÁ ACONTECENDO A PEDOFILIA ENCOBERTA DENTRO DA PRÓPRIA IGREJA. ENTÃO É MELHOR LIBERAR, ACABAR COM O CELIBATO QUE NÃO FOI INSTITUÍDO POR JESUS E SIM POR HOMENS,QUE NEM SEMPRE FAZIAM A VONTADE DE DEUS E SIM PELA SEDE DE PODER.

    PARABENS PELO ARTIGO, MAS É MELHOR REPENSAR OS DOGMAS CATÓLICOS PARA QUE O POVO NÃO FIQUE REFÉM DE VÁRIAS DENOMINAÇÕES CONDUZIDAS POR HIPÓCRITAS, COMO VEMOS ATUALMENTE O PAPA SENDO CHAMADO DE BESTA. A AUTORIDADE PAPAL DEVE SER RESPEITADA, BEM COMO A LISURA DO CARGO.
    POR ISSO DEVEM VIVER COMO DISSE JESUS.

  • GILMAR A.VIEIRA

    -EU SOU EX PADRE CATÓLICO ROMANO. NÃO VEJO PECADO NO CASAMENTO PARA OS PADRES. ESTE SACRAMENTO É INSTITUÍDO POR DEUS NAS ESCRITURAS SAGRADAS.
    -SOU PASTOR DA IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS.CASADO, TENHO UMA LINDA FAMÍLIA.

  • Daniel Teixeira

    Em boa hora li esta exposição! Também eu me senti vítima da imposição do celibato. Renunciei a prosseguir estudos para ser ordenado padre porque, uma vez que tinha de ser celibatário e querendo ser fiel ao meu compromisso, temi que pudesse falhar. Por isso, e em consciência, achei por bem abandonar,só me faltavam 3 anos. Hoje, vejo com tristeza o abandono dos padres, mas dou-lhes razão, só que já era tempo da Hierarquia rever a sua posição e dar liberdade de casar a quem quiser optar pelo casamento, continuando o seu ministério. Com mais pena e apreensão sigo os casos de pedofilia que envolve padres e não só. Pecadores somos todos, mas há muitas falhas e pecados graves que poderiam e deveriam ser evitados! Afinal, que Igreja é esta que, pretendendo seguir os ensinamentos de Jesus, esquece que os Apóstolos de Jesus eram casados? Isto acontece porque a Igreja, infelizmente, é PODER e o PODER não combina com JESUS!

  • luz

    Daniel, e ao que me pareceu por suas palavras nós o povo católico perdeu muito com a sua desistência, pois me pareceu uma pessoa com verdadeira vocação e Amor a Jesus. Mas acredito que mesmo como leigo deve continuar a passar adiante os ensinamentos de Jesus. Por esta razão te peço que inclua em suas orações que o Espírito Santo ilumine muito nosso Papa Francisco para que ele reveja entre outras coisas, o celibato opcional. Peço não só pelo meu interesse particular mas em nome de tantas mulheres como eu que amam e são amadas por um sacerdote e cujo interesse não é o de monopolizar suas vidas mas sim auxiliá-los principalmente na divulgação da Palavra de Jesus. Paz e bênçãos.

  • Adriano Ramos

    A vida é um grande dom de Deus, no antigo testamento os sacerdopes eram casados, e exerciam o sacerdócio como o pai de João Batista, que era casado. O anjo Gabriel, chegou a Zacarias e falou que a sua esposa ia ficar grávida. Ele duvidou,por isso nesta mesma hora ele ficou mudo porque duvidou de Deus. Zacarias era um sacerdote, por que oferecia os sacrifícios no santuário:o sacerdócio e o matrimonio andam de mãos dadas, por que vem de Deus, são vocação que levar para a vida. Na igreja católica, de rito oriental tem padres casados, e nunca foi problema, mas o ministério é mais verdadeiro porque entra nas vidas das famílias.
    Na igreja católica latina ja teve padres casados, se hoje não tem é porque não busca entrar no caminho de Jesus, que é a busca constante da vida em todas as suas dimensões. Tanto o casamento e o sacerdócios esta em uma mesma pessoa. Ao longo da história a igreja romana vem tentando matar esta vocação mas não consegue, porque ela vem de Deus. Tem homens e mulheres, que é o Espirito santo quem ordena, a prova é que eles enfrentam este modelo de igreja que esta aí. Isso é o Espirito que gera, ele sopra a onde que e como quer, nos tempos atuais ele esta mandando uma mensagem às igrejas, as igrejas tem que escutar o que esta falando o Espirito Santo.

  • O que me choca neste artigo é o seguinte: como um padre, com profundo conhecimento da história “tenebrosa ” da Igreja Católica Romana pode ainda defender ou reivindicar o direito de voltar a exercer o seu pastoreio numa instituição que é sabidamente corrompida, cheia de normas e dogmas que contrariam os ensinos bíblicos ? O presente artigo realmente me esclareceu bastante e me ajudou a ficar ainda mais distante da igreja católica romana, onde o que tem prevalecido desde os tempos do imperador Constantino é a vontade do homem contrário à vontade de DEUS. Entre o que diz o homem, fico com a palavra de Deus, expressa nas santas escrituras. MEU CONSELHO A VOCÊ AMIGO(A): LEIA E ESTUDE A BÍBLIA, APLIQUE EM SUA VIDA O QUE APRENDER, TENHA JESUS COMO O SEU SALVADOR PESSOAL, SAIA DA BABILÔNIA ( IGREJA QUE NÃO SEGUE OS ENSINOS BÍBLICOS ), GUARDE OS MANDAMENTOS DE DEUS ( T O D O S ), SEJA FELIZ !
    PAZ E GRAÇA DO SENHOR JESUS SEJA CONTIGO E COM A SUA FAMÍLIA.

  • Comentando o que a Célia escreveu em 02-10-2010, acima: Célia , antes de tudo penso que vc. não é uma pessoa cristã, uma vez que chama os protestantes de ignorantes. Que mal testemunho ! Talvez a ignorante aqui seja vc. As escrituras não são intepretadas da forma que vc. coloca. Quando Jesus fala de deixar pai, mãe, família, Ele não está dizendo que a pessoa tem que abandonar a família, mas sim que Ele, Jesus tem que estar em primeiro lugar na vida do cristão. Estude um pouco mais antes expressar algum comentário. Que a paz do Senhor Jesus seja contigo e com a sua família. Amém

  • julimar santos de jesus

    amado que moral voces protestantes tem pra falar algo da igreja catolica; voces so pensam em bens dinheiros. enganam pobres fies com passagem biblicas; e que fala algo? vaces tinha que ter vergonha; estou cansado de ver voces sempre debatendo; a igreja catolica nao e sua inimiga nao; inimigo e o demonio e e contra ele que devemos lutar; mais voces so sente prazer em fala e difama os catolicos; esse descuso de voces ja esta feio. eu nao sou catolico mais eles sao mais cristao que voces pare de critica e viva a palavra de deus coretamente muito grato

  • julimar santos de jesus

    Eu sou total a favor de que os padres catolicos romano possa optar pelo casamento pois a igreja nunca deveria ter fugido de suas origem todos os catolicos romanos tinha que apoiar pois sempre foi assim espero que o papa mude logo

  • Ângela Lucia

    Parabenizo pelo artigo exposto, que foi muito esclarecedor,que me deixou triste em saber que a Minha Igreja Católica é tão desumana, em querer manter o Celibato dos Padres, já que na Igreja Primitiva os Padres eram todos casados e viviam muito bem com sua família e comunidades. Não consta nessa época nenhum relato de abuso sexual praticado pelos Padres. Atualmente vemos escândalos e escândalos sexuais dentro da nossa Igreja Católica envolvendo padres, bispos e tenho certeza que o problema está em querer manter o Celibato, que para mim DEUS que é o nosso Criador, não quer que o HOMEM viva só,por isso constituiu o casamento e disse Crescei e Multiplicai.E o que consta biblicamente que todos os Apóstolos eram casados e quando Jesus nos fala que para segui-lo terá que deixar pai, mãe, filhos, JESUS não quer que você abandone sua família e sim que coloquemos DEUS em primeiro lugar. Ex: Fazermos a caridade sempre, visitarmos os doente nos hospitais, os presos também e desapegarmos das coisas materiais. Isso é que estamos colocando JESUS CRISTO em primeiro lugar. Não adianta ser Celibato só porque a Igreja quer e sim que seja opcional, isso é casa quem quer. Agora pergunto aonde está o Livre Arbitro que DEUS deixou. Digo isto porque o Padre não tem opção a não ser aceitar ser Celibatário, mesmo sabendo que não sabe se vai cumprir. Termina ELES Padres se apaixonando por mulheres que é natural e faz parte do ser humano querer AMAR e ser AMADO. Peço que DEUS ilumine o Papa Francisco que reveja esse assunto e acabe com o Celibato. Olha, muitas pessoas pensam como EU, que a Igreja quer manter uma realidade que não dar mais(Celibato), é o mesmo em querer tampar o Sol com uma peneira. Conheço ex-padres que casaram e tem filhos e são muitos felizes e esperam que um dia o Papa resolva esse problema, pois esperam voltar a celebrar missas e outras atividades da Igreja. Basta ressaltar que estamos em pleno seculo XXI e o Celibato continua. Pergunto até quando? Será que seja preciso as Igrejas se fecharem por falta de Padres? Espero que não chegue a isso, pois quero continuar assistindo as minhas missas. Desejo a todos que DEUS ilumine todos nós com sua Luz Divina.

  • Cecília Mendes

    Favor, vejam este video a respeito da posição a favor do celibato sacerdotal e casos de sacerdócio casado.

    https://padrepauloricardo.org/episodios/qual-e-a-origem-do-celibato-sacerdotal

  • Carla

    Se fosse para seguir os ensinamentos de Jesus por ele não ser casados, atrocidades muito maiores do que o não casar foram feitas que distanciaram o homem do relacionamento com Jesus. Jesus um homem judeu passou a ser vendido como um romano. Ele guardava o Sábado e as festas bíblicas, aliás, mandamento perpétuo intitulado por Deus. Mas foi melhor abolir através desses concílios feito por homem as festas bíblias e instituir o domingo como dia santo e natal como festa de Jesus. É tanta atrocidade que não reconheço este Jesus que é pregado… Aliás, apesar do pregado que eu me referia ter sido de pregação, faz eu lembrar que por falar em Jesus pregado, queria comunicar que Jesus ressuscitou. Porque Ele ainda está pregado na cruz eu também não entendo.

    Sai da religiosidade e leia a Bíblia. A salvação é um processo para todos que buscam no Senhor a sabedoria. Leiam a Bíblia! O Espírito Santo revelará coisas maravilhosas e ninguém poderá lhe enganar.

    Outra coisa só pra ser pensada: “¶ Volta-te, Senhor, livra a minha alma; salva-me por tua benignidade. Porque na morte não há lembrança de ti; no sepulcro quem te louvará?”
    ‭‭Salmos‬ ‭6:4-5‬ ‭ARC‬‬
    http://bible.com/212/psa.6.4-5.arc

    Mortos não louvam o Senhor, quiza interceder por nós.

    Que a paz do Senhor reine em nossos corações.

  • Carla

    Somente mais uma explicação: enquanto crentes, aqueles que creem em Cristo, brigam por melhor denominação – diga-se de passagem que Jesus frequentava e pregava em sinagogas – os muçulmanos, muito mais focados do que a noiva de Cristo, atingem seus objetivos. Quem é melhor? Quem é pior? Nenhuma… Tudo feito por homens e tudo cheia de defeito… Mas, o Jesus que servimos é capaz de unir os crentes para que sejamos fortes e representarmos o seu exército aqui na terra.

    Gente, é tempo de orar e jejuar porque o mundo não está fácil. E se realmente somos 80% da população Brasileira – crente, que acredita que Jesus é o Messias – estamos fazendo algo muito errado porque nosso país só está piorando… Uma verdadeira Sodoma e Gomorra.

    Que Deus tenha misericórdia de nós

  • Mônica

    E que sacrifício o Senhor está fazendo? Sendo desobediente a igreja? Ser sacerdote é se abandonar em Cristo, acredito que não conseguiríamos fazer isso em nossa totalidade se tivermos presos a alguém (ao mundo)! Digamos que o Senhor, padre, casado e com filhos, um ladrão entra em sua casa e mata um dos seus filhos, em seguida se arrepende e pede que o perdoe, o Senhor o faria, sem mágoa no coração? Lembrando que o Senhor é padre e que o morto é o seu filho!

    Deixem de reclamar e acabem com esse mimimi!!!

    É simples, se quer casar não seja padre e se quer ser padre não case, ninguém é obrigado!

  • Helena

    Vivo um grande dilema. Amo minha Igreja. Amo a Deus. Meu melhor amigo é padre. Declaradamente apaixonado por mim desde o seminário. Tentamos um namoro, que não deu certo por minha parte (insegurança). Agora, ordenando ainda diz nutrir o mesmo sentimento e quer viver comigo e me pede uma chance de vivermos isso. É muito embaraçoso para mim. Me preocupo com o envolvimento

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