UE concorda em proibir importações ligadas ao desmatamento

Lei prevê que empresas importadoras provem a procedência de produtos. Entre os itens listados estão commodities que podem afetar a economia do Brasil, como café, soja, madeira e carne bovina.

Negociadores do Parlamento Europeu e os Estados-membros da União Europeia (UE) chegaram a um acordo nesta terça-feira (06/12) sobre uma lei para proibir a importação de produtos que contribuem para o desmatamento. A decisão do bloco europeu deve afetar o Brasil.

Entre os produtos listados na legislação estão

  • cacau, café, soja, óleo de palma, madeira, carne bovina e borracha,
  • assim como vários materiais associados, como couro, chocolate e carvão vegetal,

conforme indicou o Parlamento Europeu em comunicado.

A importação de tais produtos será proibida caso estes sejam oriundos de regiões desmatadas após dezembro de 2020. Em dois anos será avaliado se outros produtos – como o milho, por exemplo – deverão ser incluídos na lista.

 

Empresas terão de provar procedência de produtos

A lei acordada exigirá que as empresas importadoras apresentem uma declaração de devida diligência

  • provando que suas cadeias de suprimentos não contribuem para a destruição de florestas.
  • Basicamente, as empresas terão indicar quando e onde as commodities foram produzidas,
  • provando sua rastreabilidade através de dados de geolocalização de culturas, que podem ser associados a imagens de satélite.

As empresas

  • também terão de provar que os direitos dos povos indígenas foram respeitados durante a produção das mercadorias.
  • O não cumprimento pode resultar em multas de até 4% do faturamento de uma empresa em um país da União Europeia.

“Espero que esta regulamentação inovadora dê impulso à proteção das florestas em todo o mundo e inspire outros países na COP15”,

disse o negociador-chefe do Parlamento Europeu, Christophe Hansen.

O desmatamento é uma das principais fontes de emissões de gases de efeito estufa que impulsionam as mudanças climáticas e estará em foco na Conferência de Biodiversidade da ONU (COP15), que começa nesta quarta-feira em Montreal, no Canadá.

 

A lei ainda requer a aprovação formal por parte dos Estados-membros da UE e do Parlamento Europeu.

Ela entrará em vigor 20 dias após a sua publicação no Jornal Oficial da UE – para algumas partes, no entanto, existe um período de transição de 18 meses.

Os países-membros da UE

  • serão obrigados a realizar verificações de conformidade
  • abrangendo 9% das empresas que exportam de países com alto risco de desmatamento,
  • 3% de países de risco padrão
  • e 1% de países de baixo risco.

Países como Brasil, Indonésia, Colômbia e Malásia criticam o plano do bloco europeu e alertaram que as regras são muito rígidas e custosas.

 

UE responsável por 16% dos desmatamento mundial

O comissário ambiental da UE, Virginijus Sinkevicius, afirmou

  • ter visitado e conversado com governos afetados pela nova legislação
  • e garantiu que a UE trabalhará em parceria com os países
  • para ajudá-los no desenvolvimento de suas capacidades de implementação das regras.

A União Europeia é responsável por 16% dos desmatamento mundial através das importações – e é o segundo maior destruidor de florestas tropicais depois da China, de acordo com dados da ONG ambiental World Wide Fund for Nature (WWF).

pv/lf (Reuters, Lusa, DPA, AFP)

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